quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

PAULO FREIRE

ARTIGO ORIGINAL
A contribuição de Paulo Freire à prática e educação crítica em enfermagem


RESUMO
As autoras trazem alguns dados biográficos, as principais obras e a produção mais significativa de Paulo Freire, mostrando a fertilidade de seu legado. Este artigo se propõe discutir a articulação de alguns conceitos trabalhados por Freire na prática e na educação realizada por enfermeiros, apontando reflexões para tornar a prática profissional mais crítica e criativa a partir das idéias do Educador pernambucano.
Descritores: educação em enfermagem; enfermagem


INTRODUÇÃO - INÍCIO DA COMPREENSÃO

Paulo Freire, através de suas obras, insere em seus questionamentos uma educação multicultural, ética, libertadora e transformadora. O pensamento de Freire ainda é contemporâneo e inspira a teoria e a prática da educação. Em suas reflexões, evidencia cuidados com a educação, propondo a humanização das relações e a libertação dos homens, tema central discutido no livro Pedagogia do Oprimido, escrito em 1968. Freire também falava da educação para uma sociedade que pensa, ouve, sente, se veste de forma diferente. Ele mostrava a educação solidária, dialogada, sem arrogância e supremacia do educador, defendendo a articulação do saber, conhecimento, vivência, comunidade, escola, meio ambiente, traduzindo-se um trabalho coletivo. A articulação proposta por Freire representa a interdisciplinaridade, hoje tão comentada nas ciências, em geral na educação e na saúde em particular. Propõe a possibilidade de uma pedagogia fundamentada na práxis, inserida numa política de esperança, de luta revolucionária, de amor e de fé no ser humano.
O ser humano, revestido de sua multidimensionalidade, apresenta-se como um ser complexo. Na sua evolução histórica, está presente o conhecimento, o qual, na maioria das vezes, é fragmentado por disciplinas e não é visível a sua recomposição. O paradigma atual carrega as marcas dessa fragmentação, inclusive no conhecimento científico e na educação.
É necessário discutir a importância da reflexão de uma prática educativa consciente e crítica para o futuro. É fundamental que a educação se ocupe em conhecer o que é conhecer, que não seja uma educação fragmentada, e que retome a unidade do ser humano e resolva também problemas imprevistos(1). Essa idéia de educação pensada por Paulo Freire, e retomada por Edgar Morin, discorre sobre a educação ética, planetária, multicultural. Paulo Freire foi um guerreiro das palavras, buscando contribuir com um mundo melhor e mais justo, por meio de suas idéias, deixando rica biografia. Houve muita dificuldade em condensá-la, sobretudo pela sua fecundidade, capaz de mobilizar e seduzir tantos profissionais, teóricos, cientistas, educadores. Trata-se de artigo reflexivo, não tendo pretensão de esgotar a biografia do grande pedagogo, apenas apontar aquelas obras mais significativas do seu fértil legado, trazendo alguns conceitos significativos e articulando com as ações de Enfermagem e o ato de educar nessa profissão.

PAULO FREIRE: UMA VIDA FÉRTIL
Freire nasceu no Recife, em 19 de setembro de 1921. Filho de Joaquim Temístocles Freire e Edeltrudes Neves Freire. Com os pais aprendeu a importância do diálogo entre as pessoas. Licenciou-se em Direito, porém não exerceu a profissão por opção pessoal, dedicando-se ao ideal de educação e alfabetização. Na década de 1950, Freire pensava a educação para adultos, não como mera reposição de conteúdos, mas sugeria uma pedagogia singular, com a associação de teoria, o vivido, o trabalho, a Pedagogia e a Política(2-3).
O método freireano de alfabetização era um ato de criação, produzindo outros atos criadores e, ao mesmo tempo, uma metodologia configurada num instrumento para o educando e para o educador, que identificava o conteúdo da aprendizagem com o processo de aprendizado.
Esse método se processa em cinco períodos. Primeiro - "a descoberta do universo vocabular"; segundo - seleção das palavras dentro do universo vocabular; terceiro - criação de situações existenciais típicas do grupo com o qual se trabalha; quarto - elaboração de fichas indicadoras que ajudam o educador nos debates; quinto - construção de fichas em que aparecem as famílias fonéticas correspondentes às palavras geradoras. Com esse método, Freire mostrou que a alfabetização não era apenas a leitura das palavras, mas a decodificação do mundo mediatizada pela problematização, de modo que o educando fosse o sujeito de seu próprio desenvolvimento, com liberdade e autonomia(4).
Exilou-se no Chile, onde viveu de 1964 a 1969, participando ativamente das reformas educacionais naquele País. Lecionou em Harvard, nos Estados Unidos, seguindo para Genebra, Suíça, completando 16 anos de exílio. Na década de 1970, foi assessor em vários países da África, países que sofriam com a recente libertação de suas colônias, colaborando com a implantação de sistemas de educação, em contato direto com a cultura africana.
Seu retorno ao Brasil ocorreu em 1980, como ele mesmo falava, "com desejo de reaprendê-lo". Deu sentido a um novo pensamento em contato com o povo brasileiro por intermédio da classe trabalhadora e de seu partido político. Gadotti(2) mostra as duas fases do pensamento de Freire. Ele diz: "O Paulo Freire latino-americano das décadas de 60-70, autor da Pedagogia do Oprimido, e o Paulo Freire cidadão do mundo, das décadas de 80-90, dos livros dialogados, da sua experiência pelo mundo e de sua atuação como administrador público em São Paulo".
Paulo Freire brindou o público com escritos e pensamentos de grande valor para a educação brasileira e mundial. Seus livros publicados são: Educação como Prática da Liberdade; Pedagogia do Oprimido; Extensão ou Comunicação?; Ação Cultural para a Liberdade; Educação e Mudança; Cartas a Guiné-Bissau; Conscientização: Teoria e Prática da Libertação; A Importância do Ato de Ler; Política e Educação e Educação na Cidade; Pedagogia da Esperança - uma Releitura da Pedagogia do Oprimido; Professora Sim, Tia Não: Cartas a Quem Ousa Ensinar; Cartas a Cristina e À Sombra Desta Mangueira(3).
Os livros dialogados com outros educadores são: Paulo Freire ao Vivo, escrito em parceria com professores e alunos da Faculdade de Ciências e Letras de Sorocaba; Por Uma Pedagogia da Pergunta, em parceria com Antonio Faundez; Essa Escola Chamada Vida, com Frei Betto; Medo e Ousadia: o Cotidiano do Professor, com Ira Shor; Pedagogia: Diálogo e Conflito, com Moacir Gadotti e Sérgio Guimarães; Sobre Educação, Vol.I e II, Aprendendo a Própria História, Vol. I com Sergio Guimarães. Teoria e Prática em Educação Popular, com Adriano Nogueira; Alfabetização: Leitura do Mundo, Leitura da Palavra, com Donaldo Macedo.
Quase todos esses livros estão publicados no Brasil em língua portuguesa, como também foram editados em inglês, francês, espanhol, italiano e alemão. O livro intitulado A Pedagogia do Oprimido, traduzido em mais de vinte idiomas, foi sem dúvida a obra de Freire que obteve mais traduções(3).
Paulo Freire morreu aos 75 anos, no dia 02 de maio de 1997, em São Paulo, vítima de infarto agudo do miocárdio, deixando como maior legado a visão de que o educador é também um aprendiz e um utópico. Gadotti diz: "Freire conseguiu manter-se fiel à utopia, "sonhando sonhos possíveis. Fazer o possível de hoje para amanhã fazer o impossível de hoje"(3-5).

AS SEIS IDÉIAS-FORÇAS
Freire parte do pressuposto de que o ser humano é histórico, logo está submerso em condições espaço-temporais, isto é, o homem, estando nessa situação, quanto mais refletir de maneira crítica sobre a sua existência, mais poderá influenciar-se e será mais livre. Essa filosofia se apóia em seis pressupostos que Freire designa como idéia-força. São eles(3,6-8), indicados a seguir.
1) Toda ação educativa deve, necessariamente, estar precedida de reflexão sobre o homem e de uma análise do meio de vida do educando, isto é, a quem o educador quer ajudar a educar. Todas as concepções de Freire estão sob a orientação dessa primeira suposição.
2) O homem chega a ser sujeito por uma reflexão sobre sua situação, sobre seu ambiente concreto. A educação deve levar o educando a uma tomada de consciência e atitude crítica no sentido de haver mudança da realidade.
3) Através da integração do homem com o seu contexto, haverá a reflexão, o comprometimento, construção de si mesmo e o ser sujeito. Essa idéia pode ser dividida em duas outras afirmações:
3.1) o homem, precisamente porque é homem, é capaz de reconhecer que existem realidades que lhe são exteriores. O homem tem capacidade de discernimento, relacionando-se com outros seres;
3.2) através dessas relações é que o homem chega a ser sujeito. A capacidade de discernir o leva a perceber a realidade por ser externa e a entende com desafiadora. A resposta que o homem atribui a esse desafio transforma a realidade, sendo original.
4) À medida que o homem se integrar às condições de seu contexto de vida realiza reflexão e obtém respostas aos desafios que se lhe apresentam, criando cultura.
5) O homem é criador de cultura e fazedor da história, pois, na medida em que ele cria e decide, as fases vão se formando e reformando.
6) É necessário que a educação permita que o homem chegue a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer relações de reciprocidade, fazer cultura e história.
Das idéias-forças, fundamentadas por Freire, emergiram alguns conceitos formulados pelo autor, que foram utilizados na Educação e também na área da saúde, dentre elas a Enfermagem, tais como: liberdade, humanização, conscientização, diálogo, cultura, reflexão crítica, problematização(4).

ALGUNS CONCEITOS DO SEU LEGADO
Os conceitos e idéias de Freire receberam influência do marxismo, do existencialismo ou da fenomenologia.
Discorre-se aqui acerca de alguns dos principais conceitos anunciados por Freire que são considerados mais significativos para a Enfermagem.
Problematização - supõe a ação transformadora, é inseparável do ato cognoscente e, como ele, inseparável das situações concretas, mesmo que ocorra sobre os conteúdos já elaborados. Nesse caso, eles serão referidos ao contexto, pois a problematização parte de situações vividas e implica um retorno crítico a essas. Por intermédio da problematização, o educador chama os educandos a refletir sobre a realidade de forma crítica, produzindo conhecimento e cultura em um mundo e com o mundo(5-6).
Outro conceito muito referido por ele foi o Diálogo que, segundo Freire, "é uma necessidade existencial. É o encontro entre os homens, mediatizados pelo mundo, para designá-lo, onde a reflexão e a ação orientam-se para o mundo que é preciso transformar e humanizar. É necessário amor, humildade, fé no homem, criatividade, criticidade e esperança"(3-4,7-8). O diálogo, para Freire, é condição básica para o conhecimento. O ato de conhecer, segundo ele, "dá-se num processo social e o diálogo é, justamente, uma mediação deste processo"(9). Freire criticou veementemente o monólogo existente nos círculos educacionais vigentes, introduzindo o conceito do diálogo, fundamentando-o filosoficamente, quando diz: "Educador e educandos (...), co-intencionados à realidade, se encontram numa tarefa em que ambos são sujeitos no ato, não só de desvendá-la, criticamente e, assim, criticamente conhecê-la, mas também no de recriar este conhecimento"(8).
O diálogo, na teoria freireana, é interpretado como essência da pedagogia libertadora, sendo essa uma situação gnosiológica e se definindo como a essência do conhecimento(9).
Liberdade - "é o fim de toda revolução cultural. É uma conquista e exige uma busca permanente existente apenas no ato responsável de quem a faz". É a condição indispensável ao movimento de encontro em que estão inscritas as pessoas como seres inacabados. Para Freire, "a libertação é um parto, doloroso". Não existe educação sem liberdade, de criar de propor o quê e como aprender, herdando a experiência adquirida, criando e recriando, integrando-se às condições de seu contexto, respondendo os seus desafios, objetivando-se a si próprio, discernindo, transcendendo, lançando-se no domínio da história e o da cultura(3,5-6,9).
A conscientização é um compromisso histórico, é uma inserção crítica na história, assumindo o homem uma posição de sujeito podendo transformar o mundo(8). É o desenvolvimento crítico da tomada de consciência. "É um ir além da fase espontânea da apreensão até chegar a uma fase crítica na qual a realidade se torna um objeto cognoscível e se assume uma posição epistemológica procurando conhecer (...) é tomar posse da realidade; e, por esta razão, e por causa da radicação utópica que a informa, é um afastamento da realidade". Produz a "desmitologização".
A seleção dos conceitos não foi tarefa simples, pois vários dos conceitos trabalhados por Freire são importantes para a prática da Enfermagem. Entretanto, essa seleção se deu por se entender que sem diálogo não existe comunicação e interação. Já o processo no qual se chega a uma atitude crítica e reflexiva seria por um percurso problematizador; e qualquer forma de aprendizagem sem liberdade não subsiste, pois, tolhendo a liberdade do educando, ele não cria, não aprende, sucumbe. Acredita-se que a Enfermagem busque uma metodologia crítica e transformadora, logo os conceitos apontados se adequam a esse propósito, pois Paulo Freire uniu de forma muito feliz a cognição e afetividade, reflexão e ação, opressão e liberdade.

REFLEXÕES SOBRE A CONTRIBUIÇÃO DE FREIRE PARA A PRÁTICA DE UMA EDUCAÇÃO CRÍTICA EM ENFERMAGEM
Um estudo realizado por Cabral(4) revela que 3,1% das teses e dissertações, nas quais os resumos foram catalogados pela ABEn/CEPEn, no período de 1995 a 1999, utilizaram o referencial teórico de Freire.
A proposta de educação pensada por Freire ultrapassa os limites de uma teoria, porquanto ela pode ser entendida como forma de compreender o mundo, refletir sobre ele, transformando a realidade a partir de uma ação consciente(10).
Nesse sentido, no limite entre teoria e filosofia da educação, o pensamento de Freire tem colaborado de forma significativa na construção de uma educação reflexiva na enfermagem, incorporando uma educação crítica e problematizadora, tendo como leitmotiv o diálogo com seus educandos; compreendendo o que é e para que serve a educação, indo de encontro à proposta pedagógica ainda hegemônica do monólogo, batendo de frente com aqueles conteúdos prontos e preestabelecidos. Entende quem é o aluno, que ser é esse que está no mundo e com o mundo, e como ele pode ser mais. Valoriza sua cultura, sua palavra, criando uma pedagogia cheia de existência e amor - a pedagogia da liberdade - instituindo uma vivência solidária, com relações sociais e humanas, buscando, com o educando, consciência crítica através de um processo "práxico", ético e interdisciplinar.
As idéias-forças se incorporam à Pedagogia de Educação em Saúde realizada pela enfermeira, porquanto, no instante em que o educador reconhece a vocação ontológica do ser-sujeito histórico, temporal, criativo e cultural, utiliza a educação para a transformação e autonomia do educando, isto é, para ser mais.
Da mesma forma, a enfermeira, em sua prática assistencial mediatizada pelas idéias freireanas, pode se considerar, junto com seu cliente, também uma aprendiz, no momento em que ela visualiza o cuidado também como atividade de Educação em Saúde, não se percebendo dona do cuidado, e não tendo uma atitude verticalizada no ato holístico de cuidar. Assim ela poderá construir uma prática libertadora, crítica, valorizando o cliente. É preciso dar continuidade a Freire, esse grande filósofo da Educação, que nunca disse que era filósofo, construindo nossa prática, seja na assistência ou na educação de forma criativa e crítica, como Gadotti(7) fala, "reinventando Freire" (...) "não devemos repetir", (...) "mas reinventá-[las] com o compromisso de indignação e mudança ante o que está posto aos esfarrapados do mundo, e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se, com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam".

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Morin E. O sete saberes necessários à Educação do futuro. 3ª ed. São Paulo (SP): Cortez; 2001. 
2. Gadotti M, organizador. Paulo Freire: uma biobibliografia. São Paulo (SP): Brasília: Cortez; 1996.        
3. Freire P. Conscientização teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. 3ª ed. São Paulo (SP): Moraes; 1980.
4. Cabral IE. A contribuição da crítica sensível à produção do conhecimento de Enfermagem. Anais do 11º Seminário Nacional de Pesquisa em enfermagem. Belém (PA); 2001. p.1-12.
5. Freire P. Ação cultural para a liberdade. 2ª ed. São Paulo (SP): Paz e Terra; 1997.        
6. Freire P. Educação como prática da liberdade. 29ª ed. Rio de Janeiro (RJ): Paz e Terra; 1999.       
7. Gadotti M. As muitas lições de Freire. In: Mclaren P, Leonard P, Gadotti M. Paulo Freire: poder, desejo e memórias da libertação. Porto Alegre (RS): ArtMed; 1998. p.25-34.  
8. Freire P. Pedagogia do oprimido. 29º ed. São Paulo (SP): Paz e Terra; 2000. p.52-61.         
9. Damke IR. O processo do conhecimento na Pedagogia da libertação. As idéias de Freire, Fiori e Dussel. Petrópolis (RJ): Vozes; 1995. 
10. Saupe R, organizadora. Educação em Enfermagem: da realidade construída à possibilidade em construção. Florianópolis (SC): UFSC; 1998. 


GLOSSÁRIO
DE TERMOS PAULO FREIRE
Discernimento - Capacidade de compreender situações, de separar o certo do errado;
Legado - O que é transmitido às gerações que se seguem;
PRÁXIS: porém, é reflexão e ação dos homens sobre o mundo para transformá-lo”;
ANTAGÔNICO: que opõe duas forças ou princípios; contrário, incompatível, oposto. Ex.: <idéias a.> <gênios a.> p. 71;
Ambíguo: DUVIDOSOS;
SECTÁRIO: que ou aquele que segue outro em seu modo de pensar e de agir, e lhe obedece cegamente;
VERBALISMO - uso abusivo de palavras; repetição de palavras sem atenção ao seu conteúdo



AÇÃO ANTIDIALÓGICA

"Os homens, pelo contrário, como seres do quefazer, 'emergem' dele e, objetivando-o, podem conhecê-lo e transformá-lo com seu trabalho" (FREIRE, 1983, p. 145). O que torna o homem ser do quefazer é o fato de seu fazer ser ação e reflexão, ser práxis (cf. idem). Quefazer é o fazer do homem que é teoria e prática, ação e reflexão. De acordo com Freire, podemos dizer que os dominadores negam às massas populares a práxis verdadeira, o direito de dizer sua palavra. Para eles as massas não devem admirar, questionar, denunciar e transformar o mundo deve apenas se adaptar à realidade que eles, dominadores, determinam.

ANTIDIALÓGO - que implica numa relação vertical de A sobre B. Dessa forma o antidiálogo é acrítico, desamoroso, auto-suficiente, desesperançoso, arrogante, por isso não comunica e impede a autonomia;
- Característica comum na educação antidialógica é o uso abusivo de palavras (verbalismo);
- Sem pensamento verdadeiro, sem ação, produz palavras demagógicas e efeito indesejados;
"A manipulação, na teoria da ação antidialógica, tal como a conquista a que serve, tem de anestesiar as massas populares para que não pensem"
- A manipulação impede ao oprimido de pensar certo, implicando na conscientização, e conseqüentemente a libertação. Os opressores sabem disso e por isso dificulta dos oprimidos pensarem por si mesmo.
Na teoria da ação antidialógica as massas são objetos em que incide a ação da conquista;
- A elite dominadora mitifica o mundo para dominar;
- Na mistifição dos homens e do mundo há um sujeito que mistifica e objetos que são mistificados;
Na teoria dialógica as massas são sujeitos a quem cabe conquistar o mundo;
- Exige o desenvolvimento do mundo;

ATIVIDADE:
Elaborar um Plano de Aula, usando como base o segundo capítulo do livro PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, de Paulo Freire:
A)      - Objetivos específicos:
Compreender a Concepção da Educação Bancária.

B)      – Conteúdo:
Educador e Educando

C)      – Procedimento Metodológico:
Aula Expositiva

D)      – Recursos Didáticos:
Quadros e Giz

E)      – Dentro do Contexto explanado, comente a frase:
“Só existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que os homens fazem no mundo, com o mundo e com os outros”. (FREIRE, 1967, P. 66).

Referência Bibliográfica:
FREIRE, Paulo. Pedagogia dos Oprimidos. 17ª edição. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987


2º Paulo Freire, se o educador é o que sabe, se os educandos são os que não sabem, cabe àquele, entregar, levar, transmitir o seu saber aos segundos. Saber que deixa de ser de “experiência feito” “para experiência narrada ou transmitida”. (FREIRE, 1967, P.68).

- Por tanto, o educador é aquele que transmite conhecimentos.
- No entanto muitos educadores usam a prática bancária da educação, para fazer do educando uma caixa e assim depositar os conteúdos programáticos da educação e informações narradas, provocando o surgimento da contradição educador e educandos que é um dos objetivos da opressão.
- Ex: O educador educa, os educandos são educados; sabe, não sabe; pensa, é pensado.....etc.
- O educando, quando submetido a tal educação, fica alienado, não é criativo, não tem opinião própria, não consegue questionar, sempre diz: melhor com ele do que sem ele e se conforma com tudo (oprimido).


ATIVIDADE:
Elaborar um Plano de Aula, usando como base o terceiro capítulo do livro PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, de Paulo Freire: 20/04/2010
A)      - Objetivos específicos:
Compreender o Diálogo na Educação.

B)      – Conteúdo:
A Palavra Inautêntica e A Palavra Verdadeira.

C)      – Procedimento Metodológico:
Aula Expositiva

D)      – Recursos Didáticos:
Quadros, Giz e apostila.

E)      – Dentro do Contexto explanado, comente a frase:
 “Não há diálogo, porém, se não há um profundo amor ao mundo e aos homens”.
(Freire, pag.  93).

Referência Bibliográfica:
FREIRE, Paulo. Pedagogia dos Oprimidos. 17ª edição. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987


2º Paulo Freire, Quando tentamos um adentramento no diálogo (interação entre dois ou + indivíduos), como fenômeno humano, se nos revela algo que já podemos dizer ser ele mesmo: a palavra. Mas, ao encontrarmos a palavra, na análise (ato ou efeito de analisar algo) do diálogo, como algo mais que um meio para que ele se faça, se nos impõe buscar, também, seus elementos constitutivos (seus componentes).

    - A palavra pode ser verdadeira e inautêntica.
1 - O homem tem o direito de usar e compartilhar a palavra verdadeira, com outros homens e assim transformar o mundo, possibilitando o diálogo;
2 – Já o homem que utiliza a palavra inautêntica, não consegue transformar a realidade, separa seus componentes. Assim torna a palavra fria, vazia, sem valor humano.
ATIVIDADE:
Elaborar um Plano de Aula, usando como base o quarto capítulo do livro PEDAGOGIA DO OPRIMIDO, de Paulo Freire: Dada: 27/04/2010
A)    - Objetivos específicos:
Compreender a antidialogicidade e a dialogicidade

B)    Conteúdo:
A teoria da ação antidialógica e a teoria da ação dialógica.

C)    Procedimento Metodológico:
Aula Expositiva

D)    Recursos Didáticos:
Quadros, Giz e apostila.
ATVIDADE
E)     Dentro do Contexto explanado, comente a frase:
“O que interessa ao poder opressor é enfraquecer os oprimidos mais do que já estão, ilhando-os, criando e profundando cisões entre eles, através de uma gama criada de métodos e processos”.  (Freire, pag.  165).
 Referência Bibliográfica:
FREIRE, Paulo. Pedagogia dos Oprimidos. 17ª edição. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987
        
 NOME COMPLETO: Paulo Reglus Neves Freire
NASCIMENTO: 19 de setembro de 1921,Recife - Pernambuco
MORTE: 2 de maio de 1997 (75 a), São Paulo
Ocupação: Educador
         Sofreu a perseguição do regime militar no Brasil (1964 – 1985), sendo preso e forçado ao exílio na Bolívia;
         Foi Secretário de Educação de São Paulo em (1989 – 1991);
Em 1970, o livro Pedagogia dos Oprimidos, foi publicado em Espanhol, o ingles e hebraico;
No Brasil só em 1974.
         2º Paulo Freire,“O que interessa ao poder opressor é enfraquecer os oprimidos mais do que já estão, ilhando-os, criando e profundando cisões entre eles, através de uma gama criada de métodos e processos”. (Freire, pag.  165).
Resp: Póis é uma das caracteristicas da teoria da ação antidialógica. Dividir para dominar
A educação bancária o educador é o dono do saber, enquanto o educando é um mero ouvinte, que nada sabe;
Educação problematizadora, não se transfere, mas sim se compartilha experiências, constroem seres críticos através do diálogo com o educador, crítico também, onde acaba aprendendo e ensinando simultaneamente;
A teoria antidialógica, que é (contra o diálogo) característica das elites dominadoras.  Pois o opressor promove a divisão popular, porque ele tem medo que desperte nos oprimidos o desejo à liberdade, ferramenta fundamental para uma ação libertadora;
a teoria da ação dialógica (diálogo), A classe revolucionária, que prega o encontro dos sujeitos, possibilitando a ação e reflexão verdadeira, a adesão da massa popular e adquirindo confiança em si, na liderança e passa a acreditar na libertação dos homens;
No entanto, quem pratica o antidialógica é a elite dominadora e usam a palavra inautêntica visando à continuação do domínio;
Os oprimidos usam a palavra verdadeira para transformar sua vida e o mundo visando à libertação.  Mas a palavra verdadeira para ter êxito teve ter o sentido coletivo.



PEDAGOGIA DO OPRIMIDO – PAULO FREIRE
RESUMO

Livro dedicado aos “esfarrapados do mundo” mostra a opressão contida na sociedade e no universo educativo, em
especial na educação/alfabetização de adultos. A opressão é
apresentada como problema crônico social, visto que as
camadas menos favorecidas são oprimidas e terminam por
aceitar o que lhes é imposto, devido à falta de
conscientização, sem buscar realmente a chamada Pedagogia
da Libertação.


A libertação é um “parto” conforme afirma o autor, pois a superação da opressão exige o abandono da condição “servil”, que faz com que muitas pessoas simples apenas obedeçam a ordens, sem, contudo questionar ou lutar pela transformação da realidade, fato motivado especialmente pelo medo.


A dicotomia encontrada neste universo vai justamente ao
despertar da conscientização, onde as realidades são, em
sua essência, domesticadoras, ou seja, é cômodo para o
opressor que o oprimido continue em sua condição de
aceitação. Neste sentido o autor faz uso do pensamento de
Marx quando se refere à relação dialética subjetividade-
objetividade, o que implica a transformação no sentido
amplo – teoria e prática, conscientizar para transformar,
pois a opressão é uma forma sinistra de violência. Assim a
Pedagogia do Oprimido busca a restauração, animando-se da
generosidade autêntica, humanista e não “humanitarista”,
pois se propõe à construção de sujeitos críticos,
comprometidos com sua ação no mundo.


A educação exerce papel fundamental no processo de
libertação, pois é apresentada a concepção “bancária” como
instrumento de opressão. Nesta visão o aluno é visto como
sujeito que nada sabe, a educação é uma doação dos que
julgam ter conhecimento. O professor, nesse
processo, “deposita” o conteúdo na mente dos alunos, que a
recebem como forma de armazenamento, o que constitui o que
é chamado de alienação da ignorância, pois não há
criatividade, nem tampouco transformação e saber, existindo
aí a “cultura do silêncio”, isto porque o professor é o
detentor da palavra, criando no aluno a condição de sujeito
passivo que não participa do processo educativo. “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”, esta famosa frase pareceu, a princípio, ter um efeito bombástico entre os educadores porque denunciou toda opressão contida na educação, em especial na concepção bancária, que na sua essência torna possível a continuação da condição opressora. O grande destaque para a superação da situação é trabalhar a educação como prática de
liberdade, ao contrário da forma “bancária” que é prática
de dominação e produz o falso saber, ou seja, aquele
incompleto ou sem senso crítico. Assim é apontada a
educação problematizadora, onde a realidade é inserida no
contexto educativo, sendo valorizado o diálogo, a reflexão
e a criatividade, de modo a construir a libertação.

O diálogo aparece no cenário como o grande incentivador da educação mais humana e até revolucionária.
O educador antes “dono” da palavra passa a ouvir, pois “não
é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no
trabalho, na ação-reflexão”. Isto é justamente o que foi
chamado de midiatização pelo mundo, espaço para a
construção do profundo amor ao mundo e aos homens. Contudo
é preciso que também haja humildade e fé nos homens.

O diálogo começa na busca do conteúdo programático.
Para o educador-educando, dialógico, problematizador o conteúdo não é uma doação ou uma imposição, mas a devolução organizada, sistematizada e acrescentada ao povo daqueles elementos que este lhe entregou de forma desestruturada. É proposto que o conteúdo programático seja construído a partir de temas geradores, uma metodologia pautada no universo do educando que requer a investigação, “o pensar dos homens referidos à realidade, seu atuar, sua práxis”, enfatizando-se o trabalho em equipe de forma
interdisciplinar. Para a alfabetização (de adultos) o destaque é feito através de palavras geradoras, já que o objetivo é o letramento, porém de forma crítica e conscientizadora.
A teoria antidialógica citada é a ideologia opressora, a manipulação das massas e da cultura através da comunicação, por isso a revolução deve acontecer através desta pelo diálogo das massas. Uma das principais características da ação antidialógica das lideranças é dividir para manter a opressão, o que cria o mito de que a opressão traz a harmonia.


Em contrapartida, é mostrada a teoria da ação dialógica embasada na colaboração, organização e síntese cultural, combatendo a manipulação através da liderança revolucionária, tendo como compromisso a libertação das massas oprimidas que são vistas como “mortos em vida”, onde a vida é proibida de ser vida, isto devido às condições precárias em que vivem as massas populares, convivendo com injustiças, misérias e enfermidades, onde o regime as obriga a manter a condição de opressão. Neste cenário é
necessário unir para libertar, conscientizando as pessoas da ideologia opressora, motivando-as a transformar as realidades a partir da união e da organização, instaurando o aprendizado da pronúncia do mundo, onde o povo diz sua palavra. Nesta teoria a organização não pode ser autoritária, deve ser aprendida por se tratar de um momento pedagógico em que a liderança e o povo fazem junto o aprendizado, buscando instaurar a transformação da realidade que os midiatiza.


O que fica evidente é que o opressor precisa de uma teoria para tornar possível a ação da opressão, deste modo o oprimido também precisa da teoria para sua ação de liberdade, que deve ser pautada principalmente na confiança no povo e na fé nos homens, para que assim “seja menos difícil amar”.